Nesta sexta-feira, 25, os produtores de algodão
agroecológico da região polarizada pelo
município
paraibano de Remígio recebem uma visita inusitada: 12
pesquisadores africanos oriundos do Mali, Burkina Faso, Chade e Benin,
os quatro países maiores produtores de algodão do
continente, que estão na Paraíba para uma visita
de
intercâmbio técnico-científico, sob
patrocínio da Agência Brasileira de
Cooperação (ABC).
“Há um interesse específico dos
pesquisadores em
conhecer o modo de organização dos nossos
agricultores
familiares e as alternativas que o Brasil encontrou para inserir esse
segmento no agronegócio da cotonicultura, especialmente
através de modelos de cultivos
agroecológicos”, diz
José Ednilson Miranda, um dos pesquisadores da Embrapa
Algodão que coordena a visita técnica
à
Paraíba.
Na terça-feira, 22, os pesquisadores africanos foram
recebidos
pelo prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rêgo.
“É uma honra recebê-los em nossa cidade
e espero que
aproveitem ao máximo o conhecimento que os competentes
pesquisadores da Embrapa têm para oferecer”, disse
o gestor
municipal. “Queremos consolidar uma parceria e aprofundar a
troca
de informações técnicas”,
disse Amadou
Atarra.
Na quarta-feira, 23, a comitiva africana visitou o projeto
“Algodão no sistema familiar”, realizado
pela
Embrapa em parceria com o Comitê de Entidades do Combate
à
Fome e pela Vida (COEP), no município de Juarez
Távora
(PB). “A organização dos nossos
agricultores ainda
é muito frágil”, reconhece Amadou Ali
Attara,
pesquisador do Mali que lidera a comitiva
internacional.
Durante toda a semana os pesquisadores africanos conhecem as principais
linhas de pesquisa desenvolvidas pelo Programa de Melhoramento de
Algodão da Embrapa em Campina Grande (PB). Eles assistiram
palestras dos pesquisadores brasileiros nas áreas de
Fitopatologia, Entomologia, Biotecnologia, além de aspectos
de
Transferência de Tecnologia e uso maquinas e implementos
agrícolas.
O grupo estrangeiro também conheceu a rotina dos principais
laboratórios da Embrapa Algodão localizados em
Campina
Grande. O consultor francês, Marc Gibrand, que atuou como
tradutor, também falou aos especialistas da
África sobre
o programa de cooperação entre esta unidade de
pesquisa
da Embrapa e o Centro de Cooperação Internacional
em
Pesquisa Agronômica pelo Desenvolvimento (Cirad).
Hoje eles visitam as instalações da EMBRATEX na
cidade, e
a partir das 16 horas conhecem o trabalho da COOPNATURAL com
produção de confecções
à base de
algodões coloridos.
Segundo José Miranda, que esteve recentemente no continente
africano, o programa de cooperação com a Embrapa
prevê intercâmbio nas áreas de
melhoramento
genético e biotecnologia, controle de pragas e
doenças do
algodão e manejo e conservação de
solos.
“Interessa-nos especialmente a grande biodiversidade do
algodão africano, de onde poderemos desenvolver novas
variedades”, comenta Miranda. O pesquisador brasileiro diz
ainda
que uma das primeiras grandes ações do
intercâmbio
será a instalação na cidade de Bamako,
no Mali, de
um laboratório para a produção em
larga escala de
Trichogramma sp, para o controle biológico de lagartas no
algodoeiro, um grave problema para a cotonicultura africana.
Os pesquisadores da África têm pela frente outro
desafio
importante: obter variedades de algodão menos amareladas do
que
as que são cultivadas nos quatro países que
compõem o grupo de maiores produtores da região,
chamado
Cotton Four. “Aqui no Brasil nós temos um dos
algodões mais brancos do mundo”, diz Miranda.
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