Mais
três municípios
goianos conhecerão de perto, durante a safra 2009, as
ações de um projeto que resulta da parceria entre
a
Embrapa Algodão, a Federação dos
Trabalhadores na
Agricultura do Estado de Goiás (FETAEG), a Secretaria de
Agricultura de Goiás e a Cooperativa de Serviços
Técnicos para desenvolvimento Rural (COOSTEC). Agricultores
familiares de Mundo Novo, São Miguel do Araguaia e Novo
Planalto, que utilizam uma área de 52 hectares que foi
plantada
com a cultivar colorida BRS SAFIRA, serão contemplados nessa
fase.
Chamado de “Núcleos de
Produção Associativa
de Algodão Integrada ao Artesanato e
Pecuária na
Agricultura Familiar do Estado de Goiás”, o
projeto
é coordenado pelo analista Waltemilton Vieira Cartaxo, da
Embrapa Algodão, cujas atividades já foram
implementadas
em mais de trinta municípios daquele estado.
“Temos obtido produtividades que variaram de 1.500 a 2.500
quilos
por hectare, resultados interessantes e compatíveis com o
uso
restrito de insumos, especialmente fertilizantes e pesticidas, por
aqueles produtores”, diz Cartaxo.
Ele conta que as atividades de socialização e
difusão do projeto foram implementadas através da
realização de cerca de 30 dias-de-campo, com a
participação de mais de cinco mil agricultores
familiares. “O projeto tem oferecido ainda cursos modulares
sobre
o manejo tecnológico de cultivo e viagens de intercambio de
agricultores às regiões Nordeste e
Sudeste”,
acrescenta o técnico que está confiante de que a
área de abrangência do projeto evolua para 200
hectares em
2009.
“A idéia principal desse projeto é dar
apoio e
incentivo à retomada do cultivo do algodão pela
agricultura familiar no estado de Goiás. O cultivo do
algodão, é sem dúvidas uma alternativa
viável para a diversificação de uso da
terra e da
renda na propriedade familiar, além de permitir o resgate de
tradições, como é o caso das
fiandeiras de
Goiás, que ainda resistem à modernidade em
vários
municípios”, observa o especialista da Embrapa.
Segundo os idealizadores do projeto, o objetivo principal da parceria
é identificar comunidades organizadas em
associações ou cooperativas, que possuam
potencialidades
reais e vontade para a construção,
estabelecimento e
consolidação de núcleos integrados de
produção sustentável do
algodão. “A lógica operacional
do
projeto, baseia-se na metodologia das Unidades de Teste e
Demonstração que compõe aquilo que
chamamos de
Escola de Campo, desenvolvida pela Embrapa Algodão, que na
prática permite consolidar o processo continuado de
relacionamento dos agricultores com os profissionais encarregados das
ações de difusão,
pesquisação e
organização da logística produtiva dos
agricultores, ou seja, um modelo onde a assistência
técnica rural participativa, com a presença
semanal de um
técnico local, junto ao grupo de agricultores
beneficiários, que torna menos difícil o processo
de
aprendizagem, apropriação,
adoção
tecnológica e a organização da
produção na agricultura familiar”,
detalha Cartaxo.
Ele explica que, ao longo dos seis anos de funcionamento,
várias
comunidades já foram contempladas com as
ações do
projeto, que foram e estão sendo efetivadas
através da
implantação das UTDs/Escola de campo, adotando
cultivares
desenvolvidas pela Embrapa Algodão, principalmente a BRS
AROEIRA
(algodão branco) e as cultivares BRS SAFIRA E BRS VERDE
(variedades de algodões coloridos), que apresentaram
resultados
satisfatórios.
Cartaxo diz que a ampliação e melhoria dos
níveis
de viabilidade econômica e social do cultivo
algodão pelos
agricultores familiares de Goiás, esta sendo trabalhada
através da aquisição e
introdução de
ferramentas que permitam a verticalização da
produção para agregação de
renda,
integração com a pecuária e o
artesanato, que
passou a ser implementada a partir da aquisição
da
miniusina descaroçadeira de algodão de vinte
serras, que
é itinerante, e faz o processamento da
produção
diretamente nos núcleos associativos, permitindo o
atendimento
da demanda de pluma das associações de
fiandeiras, e a
comercialização do excedente com o
mercado de
preço justo, além de oferecer meios
técnicos para
a formação dos bancos de sementes, e a oferta de
complemento protéico para o rebanho leiteiro dos
agricultores
familiares, integrantes dos núcleos de
produção.
A Embrapa e seus parceiros estão levando ao
agricultores
interessados no cultivo do algodão
noções
básicas de manejo e conservação do
solo,
água e dos recursos naturais da flora e fauna, modelos de
gestão da produção associativista,
visando
fortalecer a qualidade, a quantidade e a constância da
produção familiar para a conquista do mercado.
Um dos principais atrativos do projeto para os agricultores
é o
fato de que a produção a ser obtida já
esta com a
comercialização assegurada junto a uma empresa do
estado
do Ceará. “Estamos tentando identificar uma
empresa de
dentro do estado de Goiás na compra dessa
produção, no intuito de amentar a rentabilidade
dos
agricultores, que atualmente se reduz, face os altos custos de
transporte da pluma produzida em Goiás para o
Ceará”, comenta o analista.
Ele acrescenta que, nesta safra, graças as expectativas de
alcance de bons resultados, espera-se que os agricultores atuem mais
fortemente nos três núcleos de
produção,
para que na safra 2009/10. “Esperamos que as áreas
de
cultivo do algodão possam crescer, ampliando assim, o
número de famílias envolvidas, o que
poderá
facilitar a organização e a montagem de meios e
apoios
governamentais para o estabelecimento de uma infraestrutura e
logística de mecanização capaz de
facilitar o
processo de
produção da lavoura e de meios para
comercialização da produção
dentro do
próprio estado de Goiás”, finaliza.
Redação: Dalmo
Oliveira - Jornalista (MTb/PB N.º 0598)