Pelo quarto ano consecutivo, o Fundo de Pesquisa Embrapa e Monsanto recebe, a título de royalties, repasse de verbas
Oito projetos de pesquisa da Embrapa, todos de biotecnologia voltados
para a agricultura nacional, serão beneficiados com recursos, a
título de royalties, destinados pela Monsanto. Entre as
pesquisas beneficiadas estão desenvolvimento de recursos
genéticos de cereais adaptados à seca, de planta
transgênica de feijão tolerante ao estresse
hídrico, geração de mamoeiro resistente a
múltiplas viroses e estudos envolvendo o bicudo do algodoeiro.
O anúncio foi feito nesta quarta, dia 4, em cerimônia na
sede da entidade, em Brasília (DF), com o repasse, por parte da
Monsanto, de R$ 8,3 milhões para o Fundo de Pesquisa Embrapa e
Monsanto. Os valores são oriundos do compartilhamento dos
direitos de propriedade intelectual, a título de royalties,
sobre a comercialização de variedades de soja da Embrapa
com a tecnologia Roundup Ready® na safra 2008/2009. Os recursos
serão aplicados em projetos de pesquisa da Embrapa (mais
detalhes abaixo), escolhidos por meio de um comitê gestor do
Fundo de Pesquisa que a Monsanto mantém em parceria com
Embrapa.
De 2006 até este ano a Monsanto já repassou ao Fundo de
Pesquisa aproximadamente R$ 20 milhões que beneficiaram dezenas
de projetos em biotecnologia de diversas unidades da Embrapa.
O vice-presidente de Negócios da área Internacional da
Monsanto Company, Jesus Madrazo, veio ao Brasil para prestigiar o
evento. Para ele, esta parceria com a Embrapa abre caminho para o
desenvolvimento de outras tecnologias que podem resultar em aumento de
produtividade para os agricultores. A iniciativa também
apóia projetos que podem tornar a agricultura mais
sustentável. “Por conta das demandas agrícolas
crescentes, é preciso um esforço conjunto para que
possamos produzir mais e conservar mais. Estamos otimistas que, em
parceria com clientes, políticos, cientistas,
organizações não-governamentais, acadêmicos
e indústria, podemos tornar a agricultura mais
sustentável.”
De acordo com André Dias, presidente da Monsanto do Brasil, esta
parceria com a Embrapa confirma o compromisso Monsanto com a
agricultura e os produtores. “Parcerias estratégicas como
esta, com foco na pesquisa agrícola e inovação,
são fundamentais, e estão alinhadas com as prioridades do
governo, no sentido de reunir os setores público e privado no
enfrentamento do desafio global de aumentar a produtividade
agrícola de maneira sustentável”, completa o
diretor-presidente da Embrapa, Pedro Antônio Arraes Pereira.
Projetos contemplados
Os recursos irão contemplar os seguintes projetos de pesquisa da Embrapa:
- Expressão de genes envolvidos com a resposta ao estresse
hídrico em plantas transgênicas de feijoeiro, com recursos
de R$ 447 mil. O objetivo é a obtenção de plantas
transgênicas de feijão tolerantes à seca, por meio
da expressão de um gene isolado da soja e outro da mamona.
As plantas de feijão transgênico obtidas com
expressão desses dois genes poderão ser tolerantes a
outros tipos de estresse .
- Plataforma tecnológica para a expressão e
produção de proteínas recombinantes em plantas,
com R$ 690 mil. A ideia é desenvolver uma plataforma, a partir
da parceria entre a Embrapa, o Ludwig Institute for Cancer Research, o
New York Branch of Human Câncer Immunology at memorial
Sloam-Ketting Cancer Center Research e o National Institute of Health
(NIH), instituições consideradas referências
nacionais e internacionais na área de clonagem de genes,
transgenia, produção de biomoléculas e imunologia.
O foco de atuação da plataforma será a
expressão e a produção de proteínas de
interesse da área médica e da agricultura em plantas como
soja, por exemplo.
- Fenotipagem, avaliação de mecanismos de
tolerância e associação genômica aplicadas ao
desenvolvimento de recursos genéticos de cereais adaptados
à seca, com 3,3 milhões. O trabalho terá como
objetivo identificar e caracterizar recursos genéticos e
mecanismos fisiológicos e moleculares de tolerância
à seca em arroz, milho, trigo e sorgo, avaliados em
condições de campo. O desenvolvimento de cultivares
tolerantes às limitações hídricas
será uma alternativa sustentável para minimizar os
impactos negativos das mudanças climáticas globais.
- Estudo do transcritoma do Bicudo do Algodoeiro (Anthonomus grandis) e
da Broca Gigante (Telchin licus licus) para avaliação de
genes candidatos a silenciamento por RNAi, com R$ 448,5 mil. O projeto
buscará, por meio da transgenia de plantas, o controle
dessas duas importantes pragas que afetam a agropecuária
nacional.
- Desenvolvimento de estratégia baseada em RNAi para
geração de mamoeiro resistente a múltiplas
viroses, com R$ 450 mil. Este projeto visa ao desenvolvimento de novas
linhagens de mamoeiros resistentes simultaneamente aos vírus da
mancha anelar, do amarelo letal e o da meleira (principais
doenças da cultura) utilizando ferramentas da biotecnologia. A
produção de cultivares de mamoeiros resistentes à
infecção por esses vírus é a
opção mais promissora e desejável para ser
utilizada em um manejo integrado de pragas.
- Aperfeiçoamento do sistema de manejo de Diabrotica spp. nas
culturas do milho e batata, com R$ 443,9 mil. A Diabrotica speciosa
é um inseto-praga que afeta diversas culturas no Brasil e que
ocorre praticamente em todos os estados brasileiros e em vários
países da América do Sul. A transferência de genes
exógenos para espécies de plantas cultivadas a partir das
novas técnicas de engenharia genética propiciou o
desenvolvimento de cultivares resistentes a insetos. Os genes para
resistência a insetos mais conhecidos e estudados até o
momento são os que expressam as proteínas da
bactéria Bacillus thuringiensis (Bt). Serão criados
métodos de estudo e manejo para os organismos geneticamente
modificados (OGM), como monitorar em laboratório as
populações de insetos quanto à suscetibilidade ao
produto comercial.
- Caracterização morfológica e molecular de
populações de Noctuideos e determinação da
suscetibilidade a inseticidas e toxinas de Bacillus
thuringiensis, com R$ 217 mil. Para combater o aparecimento
simultâneo de espécies de lagartas na cultura da soja
produtores rurais têm-se utilizado cada vez mais de inseticidas
químicos de amplo espectro (piretróides, organofosforados
e carbamatos), o que tem restringido o uso de produtos de maior
seletividade (por exemplo, o vírus AgMNPV da lagarta-da-soja e
Bacillus thuringiensis). O incremento da utilização de
piretróides e alguns organofosforados tem ocasionado aumento das
populações de outras pragas, como, por exemplo,
ácaros, dificultando o manejo adequado das pragas da soja.
Portanto, o monitoramento é essencial nos programas de manejo de
pragas para verificar se a ineficiência do controle
químico é devida à seleção de
genótipos resistentes ou ainda determinar a
condição real da resposta das populações
geográficas a um inseticida (ou toxina) e definir se existe a
necessidade de modificar as táticas de manejo.
O restante da verba será direcionado ao aporte no Programa de
Desenvolvimento de linhagens de soja geneticamente modificadas com os
genes Bt e RR2, concomitante à elaboração de um
programa de contenção e rastreamento –
“Stewardship”, já em execução pela
Embrapa Soja, com R$ 1,1 milhão, e para o gerenciamento e
acompanhamento das atividades voltadas à execução
dos trabalhos.
Sobre a Embrapa
Criada em abril de 1973, a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tem como missão
viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e
inovação para a sustentabilidade da agricultura, em
benefício da sociedade brasileira. Nas últimas três
décadas, as pesquisas e tecnologias da Empresa e de seus
parceiros resultaram em grandes transformações no
agronegócio e na economia do Brasil.
Entre outros empreendimentos, o Brasil criou e desenvolveu de forma
pioneira e inédita no mundo, a soja adaptada a regiões
tropicais. Os resultados alcançados e o investimento em
inovação fazem do País e da empresa
referências em tecnologias para a agricultura tropical. O Brasil
é um dos líderes mundiais na produção e
exportação de vários produtos agropecuários
e as projeções indicam que também será, em
pouco tempo, o principal pólo mundial de produção
de biocombustíveis, feitos a partir de
cana-de-açúcar e óleos vegetais. Graças a
essa posição no cenário mundial, o País
passou a influir decisivamente no preço e no fluxo de alimentos
e outras commodities agrícolas.
A visão de futuro, a importância atribuída à
formação de recursos humanos e a capacidade de estar em
sintonia com o avanço da ciência fazem com que a Embrapa
possa contribuir para que o Brasil esteja posicionado na fronteira do
conhecimento, em temas emergentes como agroenergia, créditos de
carbono e biossegurança e em áreas como biotecnologia,
nanotecnologia e agricultura de precisão.
Sobre a Monsanto
A Monsanto está presente no Brasil há quase 60 anos.
Pioneira no desenvolvimento de produtos com tecnologia de ponta na
área agrícola – herbicidas, sementes convencionais
e geneticamente modificadas –, busca soluções que
proporcionem aos agricultores produzir mais com menos recursos. Para
isso, investe anualmente mais de US$ 1 bilhão em pesquisa e
desenvolvimento de novos produtos, e pretende dobrar o rendimento de
sementes de milho, soja e algodão até 2030, desenvolver
sementes que reduzam em 1/3 a quantidade de recursos naturais por
unidade produzida, e compartilhar expertise com produtores para ampliar
o seu acesso a modernas tecnologias agrícolas, especialmente em
países pobres e em desenvolvimento.
Considerada por 10 vezes consecutivas uma das melhores empresas do
Brasil para se trabalhar, segundo guias divulgados pela revistas
Época/Instituto Great Place to Work e Você S/A e Exame /
Fia USP, emprega hoje 2,8 mil pessoas. Neste ano, foi eleita pela
revista Business Week como uma das 10 empresas mais influentes do
mundo. Faturou mais de R$ 2,5 bilhões no Brasil em 2008,
produzindo e comercializando a linha de herbicidas Roundup, sementes de
soja convencional (Monsoy) e geneticamente modificada (Roundup
Ready®), sementes convencionais e geneticamente modificadas de
milho (Agroeste, Sementes Agroceres e Dekalb), sementes de sorgo,
algodão (Deltapine), e, ainda, sementes de hortaliças
(Seminis). Em novembro de 2008 entrou no mercado de
cana-de-açúcar, com a aquisição das
empresas Canavialis e Alellyx, do Grupo Votorantim Novos
Negócios. Em fevereiro de 2009 adquiriu os 49% restantes da MDM,
reforçando sua posição no mercado de
algodão.
Em 2008, a empresa destinou R$ 7,4 milhões a projetos
socioambientais em todo o Brasil, tendo esse valor saltado para R$ 9,4
milhões em 2009.
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