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Colheita, Beneficiamento e Armazenamento


Colheita Mecanizada



Quando se planeja fazer colheita mecanizada, deve-se plantar uma cultivar indeiscente (que não solta as sementes quando o fruto seca), o que possibilita que a colheita seja feita apenas uma vez quando todos os cachos da lavoura estiverem secos. A cultivar também deve ter porte baixo e pouca ramificação lateral para permitir a passagem da máquina.

Os fabricantes de colheitadeiras ainda não produzem uma máquina exclusiva para colheita de mamona, sendo necessário fazer adaptações na plataforma de milho (Figura abaixo), as quais incluem proteções laterais, cerdas para retenção dos grãos (no lugar das correntes) e cobertura do cilindro interno com uma capa de borracha.

A máquina realiza a colheita e o descascamento ao mesmo tempo e para que o descascamento seja viável, essa operação só pode ser feita nas horas mais quentes e em dias secos. Caso as plantas ainda tenham muita folha no momento da colheita, deve-se fazer aplicação de um desfolhante.


Figura 1 - Colheitadeira com plataforma de milho adaptada para mamona
Foto: Arquivo Embrapa Algodão

Colheita Manual

Nas cultivares semi-deiscentes (que podem abrir parte dos frutos ainda em campo), a colheita da mamona pode ser iniciada quando 2/3 dos frutos do cacho estiverem secos. Os frutos se abrem de forma mais intensa quando o tempo está quente e seco. Para diminuir os custos com mão-de-obra na operação de colheita, deve-se procurar fazer o menor número possível de passagens na lavoura, observando-se na lavoura se os frutos estão se abrindo e derrubando as sementes. Enquanto isso não estiver ocorrendo, a colheita pode ser um pouco adiada.

A retirada dos cachos deve ser feita com auxílio de uma tesoura de poda (mais indicado) ou qualquer instrumento cortante, como uma faca ou canivete (Figura abaixo). É possível também colher quebrando o talo do cacho com a mão, mas esse método é menos recomendado porque provoca grandes ferimentos na planta que podem servir de entrada par doenças e ainda provoca maior queda de frutos no chão, o que reduz a produtividade.


Figura 2 - Corte do cacho de mamona com uma tesoura de poda
Foto: Arquivo Embrapa Algodão

Os cachos colhidos podem ser colocados em lonas, caixas ou qualquer alternativa que seja prática e eficiente, como um saco ou lençol a tiracolo (Figura abaixo). Esses cachos podem ser levados diretamente para o local de secagem, ou acumulados em montes no meio da lavoura e posteriormente transportados.



Figura 3 - Alternativas para coleta dos cachos de mamona logo após o corte
Foto: Arquivo Embrapa Algodão

O transporte dos frutos até o local de secagem pode ser feito de diversas formas, de acordo com a distância e dos meios disponíveis, como sacos, cestos, carro-de-mão e em carroças a tração animal ou trator. Cada detalhe dessa operação de transporte deve ser cuidadosamente planejado, pois se essas pequenas tarefas forem feitas de forma ineficiente podem aumentar muito o custo de produção.



Figura 4 - Alternativas de transporte da mamona da lavoura ao local de secagem
Foto: Arquivo Embrapa Algodão


Secagem

Os cachos devem ser espalhados em camadas de no máximo 10cm e revolvidos várias vezes durante o dia. Se possível, os cachos devem ser amontoados no final da tarde e cobertos com uma lona plástica para evitar chuvas ou mesmo o orvalho noturno. Essa amontoa deve ser feita com os frutos ainda quente, ou seja, antes do solo esfriar para que o calor seja conservado. Pela manhã , os frutos também só devem ser espalhados quando o sol já estiver quente.

O tempo de secagem dependerá do nível de umidade no momento da colheita e das condições ambientais, principalmente temperatura e insolação. Geralmente, os frutos estarão prontos para o descascamento após 2 ou 3 dias secagem. O ideal é que a secagem seja feita em terreiro de cimento, mas também se pode utilizar lona ou chão batido.


Figura 5 - Terreiros para secagem de mamona de chão batido ou lona plástica
Foto: Arquivo Embrapa Algodão

Descascamento

Há diversos modelos de máquinas para descascamento da mamona, podendo variar o princípio de funcionamento, a mobilidade e a necessidade ou não de retirada dos talos.

Algumas máquinas podem ser acopladas ao trator, sendo levadas para dentro da lavoura e evitando o transporte dos frutos para um ponto específico. Muitos modelos também dispensam a necessidade de separação dos talos do cacho, diminuindo a necessidade de mão-de-obra e reduzindo os custos de produção.


Figura 6 - Modelos de descascadoras de mamona estacionários e móveis
Foto: Arquivo Embrapa Algodão

O descascamento é uma etapa muito importante para a definição da qualidade da mamona. Para obter uma boa eficiência no descascamento, é preciso que os frutos estejam bem secos e a máquina descascadora esteja bem regulada. Muitas vezes, além de estar seco, o fruto precisa ser exposto ao sol antes de ser colocado para descascar. As sementes de mamona têm tamanhos muito variados entre diferentes cultivares e as máquinas geralmente são reguladas para um único tamanho. Por isso, é importante não haver mistura de sementes de diferentes tamanhos na hora de descascar.

Os principais problemas provocados pelo descascamento são sementes não descascadas (também chamadas de marinheiros) e sementes quebradas. A indústria aceita no máximo 10% de marinheiros, pois acima disso a eficiência de extração de óleo é comprometida. A quebra das sementes é a principal causa da acidificação do óleo, comprometendo a qualidade desse produto.

Armazenamento

O armazenamento das sementes de mamona pode ser feito em sacos de 60 kg ou em silos. Até o momento ainda não foram observadas sementes de mamona armazenadas sendo atacadas por pragas que comprometam sua qualidade, mas apenas alguns insetos que se alimentam de uma estrutura externa da semente (carúncula), mas sem comprometer sua qualidade.

O principal cuidado necessário ao armazenamento é que a umidade do grão seja mantida baixa , sendo desejável também que se tenha baixa temperatura, baixa umidade do ar e boa aeração. Quando a semente de mamona é bem armazenada, pode permanecer até 1 ano quando se trata de sementes para plantio ou até 2 anos para os grãos destinados à indústria. O óleo das sementes quebradas se acidifica rapidamente durante o armazenamento, portanto, se as sementes tiverem sido muito quebradas durante o descascamento deve-se evitar armazenar o produto por muito tempo.